Saturday, September 30, 2006
27) - As religiões do livro
As chamadas “religiões do livro” constituem, ao contrário do que se pensa, um perigo eminente. Quando nossa ignorância nos leva crer que um determinado livro foi, miraculosamente, escrito pela mão de Deus, sem aceitar-se nesse processo criativo qualquer intervenção humana e sua conseqüente relatividade – nós estamos criando um monstro que vai dominar, ditatorialmente, aqueles que nisso acreditarem.
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Isto em nada diminui a validade e importância dos livros sagrados. São eles, em muitíssimos aspectos, ricos depositários de sabedoria e de orientação. Mas, para não se cair no extremo, importa recordar sempre sua origem mista: algo de divino e muito de humano. Sem esta noção passa-se a dar um valor conclusivo a qualquer informação ou determinação ali contida. A Santa Bíblia, por exemplo, registra toda a evolução de um povo, desde seus primórdios até tempos mais recentes. Para quem a examine com cuidado, é fácil concluir que ali estão presentes diferentes etapas da cultura e da espiritualidade hebraica.
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Recorde-se ainda: dos seres que vieram a este mundo, enviados por Deus, um Único e somente Esse, não trazia em Si qualquer limitação humana! O Verbo de Deus conservou sempre Sua Divina Vontade, incorrupta, e Sua Suprema Soberania!
Todos os outros, por mais virtuosos e veneráveis que sejam, eram seres humanos, limitados e falíveis! Traduziam, segundo a própria concepção humana que possuíam (e segundo seus próprios prejuízos culturais!) as revelações que recebiam.
Somente a palavra de Cristo, quando fielmente transmitida, é perfeita e prima sobre tudo! Porém, mesmo manifestações do Cristo Redentor, que Se dirigia a homens de finita sabedoria, portadores de uma herança cultural, devem ser despidas de eventuais vestes nelas colocadas para torná-las mais facilmente acessíveis. Cristo, por veze, para bem fazer-se compreender, usou figuras próprias do meio cultural em que cumpria Seu Ministério. Importa para permanecer na verdade, não se atribuir um valor ou significado objetivo a símbolos específicos de uma linguagem já estabelecida e de uso comum.
 
posted by ORDEN BONARIA at 4:30 AM | Permalink |